Mercado imobiliário de Cuiabá em 2025: recorde de R$ 5,7 bilhões, 13,6 mil imóveis, novo x usado e mapa por região (ITBI/Secovi-MT)

Publicado em 30/01/2026 · 46 visualizações

Mercado imobiliário de Cuiabá em 2025: recorde de R$ 5,7 bilhões, 13,6 mil imóveis, novo x usado e mapa por região (ITBI/Secovi-MT)

Mercado imobiliário de Cuiabá em 2025 bate recorde: R$ 5,7 bilhões, 13,6 mil imóveis e avanço do financiamento

O mercado imobiliário formal de Cuiabá encerrou 2025 no maior patamar da série recente do Indicador do Mercado Imobiliário, com R$ 5.703.651.938 transacionados e 13.597 imóveis comercializados no ano. O dado mais importante por trás do recorde não é “mágica”: é volume (mais unidades), mudança de mix (maior peso de segmentos de menor ticket e aumento da participação de imóveis novos) e avanço do financiamento.

Metodologia (ponto crítico)

O indicador é construído a partir de registros de ITBI. Isso mede transações formais efetivas, mas não é tabela de preço de anúncio e pode haver diferenças por critérios fiscais/declaração em casos pontuais. Para análise de tendência e intensidade do mercado formal, porém, é uma base consistente.

 

1) Principais números de 2025 em Cuiabá

  • Unidades transacionadas: 13.597

  • Valor total transacionado: R$ 5.703.651.938

  • Ticket médio: R$ 419.479

  • Valor financiado (montante de crédito): R$ 1.569.782.223

  • % financiado (crédito / valor transacionado): 27,52%

Esses números sintetizam 2025 como um ano de recorde e, ao mesmo tempo, de mudança na composição das vendas: o volume cresceu e o ticket médio caiu.

 

2) 2025 vs 2024: crescimento forte, mas com ticket menor

Aqui existe um erro comum que derruba credibilidade: o relatório traz uma linha de “Var.” que usa a base de 2025, enquanto a comparação padrão de mercado normalmente usa a base de 2024. Para não haver ruído, abaixo estão as duas leituras (com os mesmos números-base).

Tabela 1 — Comparativo 2024 vs 2025 (duas convenções de variação)

Indicador 2024 2025 Variação padrão (sobre 2024) Variação do relatório (sobre 2025)
Unidades transacionadas 10.215 13.597 +33,11% +24,87%
Valor transacionado R$ 4.677.350.257 R$ 5.703.651.938 +21,94% +17,99%
Ticket médio R$ 457.890 R$ 419.479 −8,39% −9,16%
Valor financiado (crédito) R$ 847.052.965 R$ 1.569.782.223 +85,32% +46,04%
% financiado (crédito/total) 18,11% 27,52% +9,41 p.p. +6,20 p.p.

Leitura objetiva: 2025 cresceu com força em unidades e em valor, mas com queda do ticket médio - sinal clássico de mudança de mix (mais vendas em faixas de preço mais baixas, ou maior presença de unidades populares/econômicas no agregado).

 

3) Novo x usado: onde o recorde foi construído

A separação entre imóveis novos e usados mostra com clareza de onde veio a maior parte do crescimento.

Tabela 2 - Valor transacionado (novo x usado)

Ano Novo Usado Total % do “novo” no total
2024 R$ 660,5 milhões R$ 4.016,9 milhões R$ 4.677,4 milhões 14,12%
2025 R$ 1.595,2 milhões R$ 4.108,5 milhões R$ 5.703,7 milhões 27,97%

O que isso significa (sem romantizar):

  • O usado ficou praticamente estável em valor (aumento pequeno).

  • O novo cresceu muito e quase dobrou de participação no total transacionado.

Em termos práticos, o salto de 2025 não foi “o usado disparou de preço”. O salto veio principalmente de mais movimento e maior peso do novo no total.

 

4) Financiamento: duas métricas diferentes (e a maioria mistura)

Para não cair em contradição, é obrigatório separar:

A) “Valor financiado” = montante de crédito

É o dinheiro efetivamente financiado (crédito). Em 2025:

  • R$ 1.569.782.223

  • 27,52% do valor transacionado total

B) “Transações financiadas” = valor dos imóveis vendidos com financiamento (não é o crédito)

No resumo anual comparativo, aparece que em 2025 houve:

  • 5.999 unidades financiadas (44,12% das unidades)

  • R$ 2.361.224.804 em “valores totais financiados” (41,40% do valor transacionado)

Tradução: quase metade das vendas envolveram financiamento, mas o crédito não é metade do dinheiro do mercado porque há entrada.
Se você falar “41% foi financiado” e, no outro parágrafo, “27% foi financiado” sem explicar, você cria um erro desnecessário. As duas afirmações podem ser verdadeiras porque medem coisas diferentes.

 

5) Ranking por região em 2025: onde vende mais e onde o ticket é maior

A divisão regional explica onde o mercado gira com mais intensidade e onde os valores médios são mais elevados.

Tabela 3 - Unidades, valor e ticket médio por região (2025)

Região Unidades Valor transacionado Ticket médio
Oeste 5.061 R$ 2.166.294.695 R$ 428.037
Leste 3.237 R$ 1.774.516.579 R$ 548.198
Sul 3.357 R$ 839.591.715 R$ 250.102
Norte 1.799 R$ 901.825.446 R$ 501.293
Rural 143 R$ 21.423.502 R$ 149.815

Leituras práticas:

  • Oeste é o motor do mercado em volume e em faturamento.

  • Leste tem o maior ticket médio, coerente com áreas de padrão mais elevado.

  • Sul concentra volume relevante, mas com ticket bem menor, típico de segmento econômico.

  • Rural tem participação marginal no total transacionado.

 

6) Série histórica 2018–2025: ciclo, não chute

A série ajuda a separar “pico momentâneo” de “tendência”. Entre 2018 e 2025, o mercado formal transacionado apresentou crescimento e mudanças importantes no ticket e no financiamento.

Tabela 4 - Totais gerais (2018–2025)

Ano Unidades Valor transacionado Ticket médio % financiado (crédito/total)
2018 8.113 R$ 2.575.454.398 R$ 317.448 15,62%
2019 8.546 R$ 2.604.123.589 R$ 304.718 19,93%
2020 9.382 R$ 3.179.941.327 R$ 338.941 23,19%
2021 11.910 R$ 4.321.857.524 R$ 362.876 21,31%
2022 10.510 R$ 4.142.879.821 R$ 394.185 18,62%
2023 9.282 R$ 4.274.780.783 R$ 460.545 15,83%
2024 10.215 R$ 4.677.350.257 R$ 457.890 18,11%
2025 13.597 R$ 5.703.651.938 R$ 419.479 27,52%

O que a série mostra, de forma objetiva:

  • 2025 é o maior patamar em valor e em unidades no período observado.

  • O ticket médio sobe forte até 2023/2024 e cai em 2025.

  • O percentual financiado em 2025 é o maior da série recente, o que ajuda a explicar o aumento do volume.

 

7) O que monitorar em 2026 (sem adivinhação)

Se 2025 foi recorde por volume e mix, 2026 depende de variáveis mensuráveis:

  1. Custo do crédito (juros efetivos + spread): impacta diretamente as parcelas e, portanto, a decisão de compra, especialmente fora das faixas mais acessíveis.

  2. Mix de produto (novo x usado): 2025 foi “puxado” por novo; se o pipeline de oferta muda, o resultado muda junto.

  3. Ticket x capacidade de pagamento: ticket menor em 2025 pode ser mudança de mix — não necessariamente queda estrutural de preços.

  4. Distribuição regional do estoque e da demanda: Oeste e Leste concentraram grande parte do valor; se a oferta continuar nessas regiões, o mapa tende a repetir o padrão.

 

Conclusão

O recorde de 2025 em Cuiabá é explicado por números: mais transações, forte crescimento do segmento novo e financiamento em alta, com ticket médio menor no agregado por mudança de composição das vendas. O ponto mais sensível ao comunicar esses dados é separar corretamente crédito financiado de valor de transações que envolveram financiamento - porque misturar essas métricas cria contradição e destrói confiança.

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