Mercado imobiliário bate recordes em 2025 apesar dos juros; CBIC projeta 2026 forte

Publicado em 02/03/2026 · 0 visualizações

Mercado imobiliário bate recordes em 2025 apesar dos juros; CBIC projeta 2026 forte

Mercado imobiliário fecha 2025 com recordes de lançamentos e vendas, mesmo com juros altos, aponta CBIC

Mesmo com crédito mais caro e juros elevados, o mercado imobiliário residencial vertical no Brasil terminou 2025 em nível recorde de atividade. O balanço faz parte dos Indicadores Imobiliários Nacionais do 4º trimestre, divulgados pela CBIC em parceria com a Bra!n Inteligência Estratégica.

A leitura do setor é que as incorporadoras reagiram à demanda ainda aquecida - e, por isso, seguiram colocando produto na rua apesar do custo de financiamento. A avaliação foi reforçada por Celso Petrucci.

O que 2025 entregou, em números

Indicador (residencial vertical) 2025 Variação
Unidades lançadas 453.005 +10,6%
VGL (Valor Geral Lançado) R$ 292,3 bi
Unidades vendidas 426.260 +5,4%
VGV (Valor Geral de Vendas) R$ 264,2 bi +3,5%
Oferta final (estoque) no fim de 2025 347.013 +6,2% (ano)

Fontes: CBIC / Bra!n Inteligência Estratégica.

No recorte trimestral, o 4º trimestre de 2025 também veio forte: 109.439 unidades vendidas e avanço de 4,7% ante o 3º trimestre, segundo a apresentação da CBIC.

Sudeste lidera (de longe) o volume vendido no ano

No acumulado de 12 meses, a distribuição regional das vendas ficou assim:

Região Unidades vendidas em 2025
Sudeste 220.087
Sul 89.769
Nordeste 80.111
Centro-Oeste 23.540
Norte 12.753

Estoque subiu, mas o “tempo de escoamento” segue abaixo de 1 ano

A oferta final (estoque) aumentou e chegou a 347.013 unidades ao fim de 2025.
Ainda assim, o tempo de escoamento - uma estimativa de quantos meses o estoque atual levaria para acabar no ritmo de vendas - ficou em 9,8 meses no 4º trimestre.

Na prática: é um nível que, historicamente, costuma indicar mercado “girando”, e não travado (o risco clássico, quando piora, é estoque crescendo e escoamento disparando).

Minha Casa Minha Vida vira pilar e ganha participação

O Minha Casa, Minha Vida foi determinante para sustentar volume em 2025.

  • No ano: 224.842 unidades lançadas no MCMV (alta de 13,5%) e 196.876 vendidas (alta de 15,9%).

  • No 4º trimestre: MCMV respondeu por 52% dos lançamentos e 49% das vendas do trimestre.

  • Escoamento do MCMV: 7,9 meses, mais rápido que a média geral.

Atenção ao detalhe: há versões dessa notícia circulando com “228.842 lançadas” no MCMV. Na apresentação oficial da CBIC, o número do ano aparece como 224.842. Se você vai publicar, use o dado do material fonte.

Preços: IGMI-R dispara e “descola” da inflação

A CBIC destacou que o índice de preços do mercado imobiliário residencial (IGMI-R, capturado por FGV e Abecip) acumulou 18,6% em 2025, bem acima do IPCA (4,26%) e do INCC (5,9%) no mesmo período.

Isso significa valorização real em muitas praças - mas também pressiona acessibilidade (a conta fecha mais difícil para quem depende de renda e crédito).

O que o setor espera para 2026 - e o que pode dar errado

O cenário-base das entidades é de 2026 “no mínimo” repetindo 2025, apoiado por intenção de compra ainda alta (a apresentação aponta 50% com intenção de comprar nos próximos 24 meses).

Além disso, a Abecip projeta crescimento de 16% no volume de financiamento imobiliário em 2026, com alta estimada de 15% no SBPE (poupança) e 5% no FGTS, entre outros componentes.

Riscos (sem romantizar):

  1. Juro e crédito não caem “por decreto”. Se a melhora do crédito não vier, o mercado pode segurar novos lançamentos, especialmente fora do MCMV.

  2. Funding tem prazo/limite. Parte da redução de taxas e expansão pode depender de medidas de funding e do apetite dos bancos; se isso arrefecer, o custo volta a morder.

  3. Preço subindo muito acima da inflação pode virar travamento. Valorização forte ajuda quem já tem imóvel, mas dificulta a “entrada” do comprador, ampliando o risco de estoque encalhar em certos segmentos.

  4. MCMV é o motor - e isso concentra risco. Se orçamento, regras ou operacionalização do programa sofrerem ruído, o impacto tende a ser imediato nas regiões mais dependentes.

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